domingo, abril 15, 2007

Amargura...


Oh! Não me pergunteis por que motivo
Pende-me a fronte ao peso da amargura,
Quando um suspiro tremulo, aflitivo,
Sobre os meus lábios pálidos murmura.

Quando ao fundo do lago a pedra desce,
Globo de espuma à flor do lago estala;assim é o suspiro: ele aparece,
Porque no coração cai dor que o rala.

Do lago a face lisa espelhada flores,
No fundo a vista não divisa o ceno:
Assim dentro do peito escondo as dores,
Mandando aos lábios um sorriso ameno.

Mas quando uma aflição acerba e crua
Mais que um rochedo o coração me oprime,
quando nas chamas do sofrer estua
Como no incêndio o ressequido suprime

Não choro, não! – de angústia de um ser flagelado
Um queixume sequer eu n profiro;
Descai-me a frente, penso no meu fado...
Oh! Não me pergunteis por que suspiro!!! ...

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